Série – Os Últimos Dias – Ato XVI e XVII
Ato XVI
Despertar
O implacável brilho do sol matinal encontrou o corpo de Xadax ainda íntegro, mas não intacto. Seu plano teve sucesso quase total… mas o “quase” rendeu ao bom professor uma concussão séria na cabeça, que deixou-o inconsciente por toda a noite e parte da manhã seguinte. Por um lado isso contribuiu para uma imobilidade convincente nos longos segundos em que esteve sob a observação do capitão da Sacrossanta Legião do topo da Muralha Eterna, mas por outro deixou-o indefeso contra…
- Saqueadores! – urrou Xadax, assim que penosamente despertou e examinou primeiro sua cabeça, e depois a bolsa onde acumulara os principais artefatos antigos de Anticqua que coletara em suas pesquisas, bolsa agora vazia. Nem todos os bárbaros temiam tanto assim a “maldição da Muralha”, aparentemente.
- Loucos! Não se apercebem do perigo que correm! – murmurou o professor, imaginando o rumo que seus preciosos artefatos teriam tomado a esta altura. – Tenho que encontrá-los. Tenho que encontrar todos eles! – decidiu.
Ele havia caído longe do pacote que lançara antes de si mesmo, e a areia tangida pelo vento havia ocultado-o. Novamente Xadax sorriu de volta para o acaso, apanhando os suprimentos que permitiriam sua sobrevivência até que chegasse a algum lugar onde pudesse se estabelecer e, novamente, lançar-se em busca daquilo que lhe fora tomado.
- Por outro lado, é deveras agradável possuir um novo objetivo desde já – pensou. Sua caminhada ao longo das terras ermas se estenderia ainda por bastante tempo, mas de forma alguma sua presença seria esquecida ou ignorada pela complicada trama do destino. Era certo que Xadax Ross haveria de ter vital importância no decorrer dos eventos que marcariam aqueles dias, que bem poderiam ser os últimos.
Ato XVII
Planos de Ataque
Reanimado pelas magias de cura de Adso e pelo vinho forte da adega da Taverna do Poço, o velho resgatado por Hector falou bastante. Seu nome era Demóstenes, e era um sacerdote menor do clero de Nivee, a deusa da paz. Nunca fora sagrado clérigo, tampouco se considerava como tal. Fora criado durante toda sua vida nos templos da deusa da paz, e para ele aquela acolhida bastava.
Contou também que estava em viagem secreta, levando um item de poder único, o artefato conhecido como a Manopla de Aukar. Segundo o próprio Demóstenes, a Manopla era a chave mística de um antigo templo, cujas paredes resguardavam o mundo de um grande mal ancestral.
- Estes saqueadores malditos não fazem a menor idéia do que agora carregam. Em mãos erradas, a Manopla poderia trazer a desgraça e a morte de volta ao mundo. Corja maldita de ladrões são todos iguais!
Gabriel se ofendeu em parte pelas palavras do velho sacerdote, mas não deixou transparecer. Enchendo mais uma vez a caneca que conseguira de vinho, bebeu longamente antes de expressar sua opinião ao grande grupo.
- Sinceramente, entrar agora na taverna é loucura. Mesmo que não sejam muitos os ladrões, há uma grande chance do próprio Caolho estar aqui.
- Se forem os mesmos bandidos que me interceptaram, estão em nove, contando o tal do Caolho – disse Demóstenes por fim.
- Ou seja, a vantagem numérica é toda deles! – reclamou Gabriel.
- Temos a vantagem do ataque surpresa – falou Solrak confiante – de qualquer forma não posso deixar meu avô sozinho em meio a um bando de assassinos sem escrúpulos que já mostraram do que são capazes.
- Tudo ocorrerá bem. Só precisamos pensar em uma … estratégia – falou Hector decidido.
- A melhor estratégia é correr daqui. – respondeu Gabriel, ríspido – Ainda não entenderam que tem dois bandidos para cada um de nós? É suicídio!
- Já me bati contra mais de um homem ao mesmo tempo – falou Hector pausadamente. – A falsa sensação de vantagem que um grupo grande lhes dá os deixa descuidados. Se formos espertos derrubaremos a maioria antes de saberem o que lhes atingiu.
- Acabar com os oito capachos é o menor dos problemas – suspirou Gabriel – É Caolho que me preocupa.
- Este homem é tão perigoso assim? – perguntou Solrak preocupado com a segurança do velho Phillip, e um tanto angustiado por saber pelo menos parte dos pensamentos do avô naquela hora, já que ele próprio ainda não aparecera para trabalhar.
- Caolho é louco. É um daqueles homens que não sabem quando parar.
- Você realmente o conhece bem – comentou Adso, sendo instantaneamente atingido pelo olhar furioso de Gabriel. O mago fingiu não notar, mas tinha plena certeza de que o pequeno ladino escondia algo mais do que sua verdadeira profissão de batedor de carteiras. E este algo estava com toda a certeza ligado ao bando de Caolho, se não ao próprio líder dos assaltantes.
O grupo confabulou por mais alguns momentos até definir a ordem de seus ataques. Aproveitando-se do conhecimento de Solrak sobre cada uma das entradas da taverna, dividiram-se de modo que cada um dos cinco investisse contra os oponentes por uma direção distinta. Um ataque coordenado vindo de todas as direções. Adso inclusive insistira para que Demóstenes permanecesse acamado, mas o sacerdote se negou. Lembrou a todos que não era efetivamente um clérigo de Nivee, o que lhe dava certas liberdades.
Inclusive lutar em nome daquilo que acreditava.
















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Vantagem numérica é sempre dos inimigos!
.-= Erick postou blog ..EA Sports começa a bloquear multiplayer de jogos usados =-.
Estamos de volta à ativa então? =D
Precisa de alguma coisa pra ilustrar os próximos atos?