[II RPGCon] Uma análise da Palestra das Editoras
AVISO: Esta é uma análise pessoal e tendenciosa de acordo com os gostos do autor. De forma alguma representa a visão do Paragons do evento. Se que ver uma cobertura isenta e direta da palestra veja aqui.
O Cenário de Campanha
Ah! A Palestra das Editoras! Alguns ficam satisfeitos apenas com os anúncios diretos, mas isto é perder um pouco do subliminar. Os olhares furtivos, os cochichos ao pé-do-ouvido e até aquele comentário maldoso do cara do lado. Eles querem saber como foi estar lá e em qual ponto os anúncios irão mudar nossa vida [errepegistíca, claro]. São tantas coisas pequenas, tantos detalhes que o palco principal do auditório tornou-se… um palco. E tal qual um critico de arte que ao invés de produzir algo só sabe er…criticar, irei fazer uma análise pessoal e tendenciosa sobre os lançamentos e não-lançamentos anunciados na II RPGCon.
Os Personagens
No palco do auditório principal estava posicionados prontos para cumprir seus papéis: Otávio, Editor de D&D da Devir; Mc Zanini, editora de Mundo das Trevas da Devir; Trio Tormenta [Cassaro, Trevisan e Saladino] juntos com Guilherme Svaldi e Leonel Caldela, da Jambô e Marcelo Del Debbio da Daemon. Alguns poderiam afirmar que, com poucas variações, são os mesmos personagens de sempre, mas aí com um roteiro digno de cinema um plot twist aconteceu.
O Doutor Careca levantou e com uma colocação digna de um Faça-se a Luz errepegistico chamou duas pessoas que estavam como espectadores para se tornar personagens principais na peça: Giltônio da Secular Games e Guilherme Moraes da RetroPunk. Adoro plot twist.
O Enredo
Como vocês perceberam, este ano não tivemos na mesa o Douglas Reis, então que puxou o samba da Devir este ano foi o Otávio. Não sei, o Otávio não parecia a vontade de anunciar os próximos lançamentos da Devir, pessoalmente acho que ele perdeu a oportunidade de reforçar sobre o D&D Encounters, os materiais extras no site da editora e os lançamentos que eles fizeram em 2009/2010. A primeira coisa que chamou a atenção foi a vontade da empresa em trazer Dark Sun para o Brasil, suprimindo o “queridinho da galera” Eberron, o planjemento para trazer o cenário ao Brasil parece estar rolando pois eles tem plena consciencia que para lançar Dark Sun eles precisam do Livro do Jogador 3 devido às regras para personagens psionicos. Com o anúncio de Dark Sun o que me deixou mais surpreso foi ele anunciar a participação do pessoal da Dark Sun Brasil nos termos de tradução do cenário. Power to the people!
Surpreendeu-me também uma pequena menção ao Gamma World, não foi um anúncio, foi algo do tipo: “Vamos ver se Gamma World é bacana e passar ele na frente de Eberron” mas sem a acidez e o ataque direto ao cenário “steampunkindianajones”. Eles manifestaram interesse em continuar trazendo os mini-suplementos que a WotC esta lançando, o primeiro já saiu o Livro do Draconato e algumas aventuras pequenas. Mas eu quase derrubei meu celular no chão ao escutar foi sobre a possibilidade de trazer o D&D Essentials para o Brasil, com a possibilidade, após análise de mercado, de coloca-los a venda em lugares que não seja especializados em RPG. Só eu pensei nas antigas caixas vendidas pela Grow?
Otávio em segundos se tornou o editor de GURPS e começou a comentar sobre o futuro da linha, mas não falou nada sobre o ARG! Estranho, as alterações mais interessantes que a Devir tem feito na divulgação do RPG, foram o aumento do suporte online na linha de D&D e o ARG de GURPS. Ambas são muito boas e ambas não foram comentadas na palestra. Perdeu a chance de mostrar onde a Devir tem feito um trabalho bacana neste ponto.
Todos sabemos que qualquer comentário sobre GURPS é delicado. A Devir já havia anunciado o lançamento do jogo outras vezes, então mesmo quando ele é tratado como certeza pelo editor da linha alguns continuam trabalhando no campo das possibilidades. O ceticismo ficou maior depois que o primeiro módulo, Personagens, não foi lançado na RPGCon.
Eu acredito que o livro será publicado no prazo estipulado pela editora, até o final de Julho. Porém não que o segundo livro, Campanhas, será publicado até o final do ano. Este acredito que somente no primeiro semestre de 2011, porém é interessante ver que a editora realmente tem um projeto para GURPS. Utiliza-lo como forma de trazer iniciantes para o jogo. Foi comentado na palestra a vontade de fazer suplementos de GURPS, no estilo Mini-GURPS seguindo as tendências [ e quem sabe franquias] da cultura pop. Eu só não acho esta idéia sensacional, como que ela tem tudo para dar certo. Lógico que tudo atrelado não só a qualidade deste possíveis mini-suplementos mas também a distribuição deles.
Para que os jogadores de GURPS em português não fiquem prejudicados com o espaçamento entre os dois livros, mais ou menos 6 meses, a Devir anunciou que publicaria as tabelas essenciais do Campanhas no site. Idéia muito boa. Falando no site de GURPS, a Steve Jackson publica periodicamente suplementos de GURPS em .pdf, a Devir falou que há uma possibilidade de negociação com a editora americana para a publicação de alguns destes .pdfs em português gratuitamente. Espero com todas as forças que isto dê certo já que os suplementos em .pdf de GURPS são muito bons e pequenos, assim demandariam um esforço de tradução menor.
A MC Zanini pegou o microfone para falar de Mundo das Trevas. Ela não disse nada que quem não acompanha o seu twitter, ou o blog da linha já não soubesse. Abrindo um parenteses aqui é interessante ver esta aproximação crescente da Devir com a comunidade, dando uma face humana a empresa. Lembro que alguns anos atrás quando comecei a ir a eventos de RPG, o contato com a Devir só era feito se : a) Nos eventos, via palestra b) Se você conhecesse pessoalmente os funcionários da editora ou c) Se você fosse um stalker maniaco. Atualmente você pode entrar em contato com eles e até ver como é feito o processo de tradução da linha. O lado ruim é que isto diminui o impacto dos anúncios nas palestras se você costuma se informar sobre RPG na internet. Os anúncios feitos para a linha, Changeling, Paranormalidade [Sexto Sentido] e Cidade dos Amaldiçoados, o único que foi surpresa foi o Armory, suplemento de equipamento para a linha básica do Mundo das Trevas com o objetivo de “combar” suas crônicas.
A palestra da Devir acabou, o Giltônio pegou o microfone e começou a falar dos projetos da Secular Games, uma editora que nasceu com o objetivo [alcançado] de publicar suplementos em .pdf para o mercado americano. Agora eles tem como objetivo publicar RPGs autorais em português. O seu primeiro Manifesto/Publicação foi o fanzine Mamute e será seguido pelo lançamento de Busca Final, um RPG de fantasia [?] que utilizará uma mecânica de cartas de baralho.
Logo após o Giltônio [ou antes? Me confundi agora] veio o Del Debbio da Daemon Editora para chorar explicar o motivo da sua editora não ter publicado nada de RPG no último ano. Segundo ele o que falta para a Daemon Editora são autores com boas propostas de publicação, já que os antigos escritores “da casa” estão com outros projetos que não conseguem ser conciliados com a produção de livros de RPG. Ele fez um chamado aos produtores de RPGs, então se você tem algum livro de RPG pronto e que gostaria de ser publicado entre em contato com a editora, quem sabe daí não sai um lançamento bacana? O Del Debbio também anuncia que esta em negociações para a publicação do Old Dragon, mas que ainda não tem nenhuma definição sobre isto.
Depois veio a Palestra da Jambô. Antes dela começar eu fiz um experimento que acho que a organização poderia assumir para a próxima RPGCon, perguntei a aqueles que acompanhavam a cobertura em tempo real do Paragons quais perguntas eles gostariam de fazer na palestra e na medida do possível eu repassava para os palestrantes. Foi muito interessante e os leitores paragônicos aprovaram.
A Jambô já deixou claro que não falaria sobre Tormenta pois eles fariam uma palestra apenas sobre o cenário logo após, então eles focaram nas outras linhas. Primeiro a dúvida era sobre a continuidade da publicação de Reinos de Ferro em português, Guilherme explica que eles estão no aguardo de uma definição dos novos lançamentos da editora americana da linha, que estava para fazer uma nova edição do jogo, com com novas regras.
As perguntas vão para a segunda linha mais famosa da editora, M&M. É dito que o lançamento da 3ª Edição do jogo não alterará muito os lançamentos, apenas que os suplementos de regras não serão mais traduzidos, deixando espaço para os de suporte, como por exemplo o Mecha & Manga que a editora afirma os planos de traduzi-lo. Acredito ser uma atitude acertada do pessoal da Jambô. Com a nova edição os suplementos de regras ficam automaticamente defasados, mas os de cenário e suporte não. Mesmo assim ainda acho que publicar um cenário para o jogo seria muito bom .
A surpresa da palestra fica no anúncio da publicação de um futuro cenário para 3D&T, o Novo Aeon MegaCity, que irá juntar todas as regras do sistema em um único cenário. Prevejo Lutadores de Rua combatendo Robos Carismáticos. 3D&T sempre mereceu um cenário. Na antiga edição UFO TEAM era um dos meus suplementos favoritos, seria muito bom se MegaTokyo MegaCity virasse uma linha e não apenas um suplemento isolado. Recebi várias pessoas no twitter do Paragons perguntando se não sairia um Tormenta 3D&T, os editores da Jambô não afirmaram nada neste ponto, mas eu também não entendo o porque não publicar o cenário para o 3D&T, ele tem uma legião de fãs que seria muito saudavel para ambos as linhas.
O Grand Finale
Para mim o anúncio mais surpreendente foi feito pelo Guilherme da Retropunk. Primeiro ele anunciou uma data de lançamento para o Rastro de Cthulhu, dia 5 de novembro com o preço a definir [entre 65 e 70 reais], e mais um futuro suplemento para jogo, o livro de aventuras Eldritch Tales e, se tudo sair conforme os planos, o Esoterroristas. Além disto o Guilherme fez algo muito showman que levou o auditório a loucura. Puxou do bolso um banner e abriu dizendo: Esta é a capa do Rastro de Cthulhu. TOMAÊ, é uma expressão que explica meus sentimentos no momento.
(hipérbole)Quando todos estavam impressionados e jogando cadeiras um nos outros, o dona da editora solta um “E não é só isto” digno de um Jobs do RPG (/hipérbole), o lançamento de Espirito do Século, Don’t Rest Your Head e Don’t Rest Your Mind, licenças de RPG publicadas pela americana Evil Hat. Porém com um pequeno diferencial, as ilustrações do Espírito do Século serão feitas aqui no Brasil, com isto a editora esta recebendo propostas de ilustradores para o livro no email contact@retropunk.net. Simplesmente épico.
Interessante ver que existem pessoas que querem fazer o RPG no Brasil se mover, que estão investindo nisto e de uma forma muito importante. Com visão de negócios, não publicando qualquer coisa e sim livros que, embora indies estão bem conceituados e tem um grande público potencial no Brasil.
Resumão
Pude perceber como o mercado de RPG esta mudando. Não evoluindo ou crescendo, mas com uma dinamica própria, onde editoras como a Devir, que já foram o símbolo do isolacionismo, se aproximam do público e anúnciam propostas para renovar o público RPGista. Enquanto outras como a RetroPunk, já vem o mercado como um nicho que tem públicos diferenciados a serem explorados.
UPDATE: Imagens cedidas gentilmente pela Taverna do Goblin e cerveja amanteigada cedida gentilmente pela Taverna Sadica

![[II RPGCon] Uma análise da Palestra das Editoras](http://www.paragons.com.br/wp-content/uploads/2010/07/palestra2-180x180.jpg)

















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Muito bom… nao pude ir por motivos profissionais… mas seu resumo me deixou ancioso para o ano que vem!
@rpgmagazine
Na verdade, Shingo, Nova Aeon é um cenário e Megacity é outro, mas ainda assim com a mesma proposta e o Armageddon está vendo agora se dá para unificar.
Eu sei ;) Foi só uma piada
[...] This post was mentioned on Twitter by Newton Rocha. Newton Rocha said: RT @M_Pop: RT: @Paragons: RPGCON uma análise da palestra das editoras, agora no Paragons! http://bit.ly/dgkryp #RPGCON #Paragons [...]
Muito bom o post, Shingo. Obrigada por compartilhar as impressões e informações da palestra :)
Bem bacana para quem não pôde ir, porque, sim, sentimos falta de saber os pormenores ^^
Valeu Shingo!
Não fui, mas pelo que tenho lido de quem foi, também notei a mudança do RPG no Brasil. Mais seriedade, mais inteligência, mais proximidade e respeito com o público.
Abraço.
Se a Daemon também houvesse assumido esta postura (apesar que chegou “próximo” com o chamado as armas)eu também teria ficado bem mais feliz.
Secular e Retropunk FOR THE WIN!!!
Já demorou para você lançar o Romancia no espirito DIY
A Retropunk está bem empolgada, não acham?
Já a Daemon, nem tanto.
As comunicações da Devir e da Jambô parecem bastante sensatas.
Da Secular Games sei apenas que os vikings deles são um cenário excelente.
Ela também tem?
Achei que só a coclave tinha e que agora seus autore iram re-vivelo.
A Secular Games publica o mesmo vikings que a Conclave publicou no Brasil, só que em inglês e em formato eletrônico, por U$ 13,95.
http://rpg.drivethrustuff.com/product_info.php?products_id=51572
Também percebi essa mudança de rumo pelas notícias que acompanho.
Mas estou preocupado que a Devir depois disso ficou quieta quanto ao GURPS! Mas só no outro mês dependendo do que ocorrer nesse que posso faalr algo melhor.
A reropunk está cada vez melhor! Acho que finalmente vou fisgar meus amigos para jogar novamente! ^^
Muito legal se a Devir trazer mesmo Dark Sun! [Pena que vai demorar... 2011 e vai...]
Eu acho que eles deveriam lançar o Livro do Jogador III logo antes de pensar em Forgotten Realms e cia.
Ae Shingo, o texto ficou massa cara, acho que só faltaram algumas fotos pra ilustrar isso tudo q vc falou. Pode usar qualquer uma das que eu tirei lá pra Taverna do Goblin e, modestia a parte, elas ficaram bem legais cara… =D
Pronto :)
“Imagem da RPGCon não relacionada com o tema”
Hahahahahahahahahaha
:P A melhor imagem do post, quiça da RPGCon na minha humilde opinião
Obrigado pela sugestão e contribuição, Rodo!
Opa, eu é quem agradeço (Tamo ae pro que der e vier)! Ah, concerteza a “imagem da RPGCon não relacionada com o tema” ganha fácil o prêmio de melhor imagem do post, doidimais! =D
Excelente matéria! Uma análise concisa que passa com maestria as impressões da ocasião para quem não pôde presenciar. Parabéns!!
Como pretensioso a autor de RPG e ilustrador fiquei muito feliz em saber das iniciativas tomadas. Confesso que me agarro ao mais incrédulo otimismo quando se trata de RPG no Brasil e mais ainda sobre produções nacionais e gostaria muito de ver um dia em que RPG Brasileiro seja um mercado de respeito e prospero, e acho que essa atitudes estão no caminho certo!
Gostei muito do resumo e talvez tenha uma visão parecida com a sua já que identifiquei bastante com sua visão XD
Já to guardando minhas economias pra RPGcon do ano que vem! o/
Li isso um mês depois, e minha cabeça explodiu com a notícia do lançamento de Don’t Rest Your Head em português. Ae, não vou mais comprar!