
Tarantino chuta mais uma vez o pau da barraca da mesmice, provando que ainda existe criatividade no mundo e que sua trilha de sucesso está longe de acabar.
Este era o filme mais esperado do ano por mim. Desde as primeiras notícias sobre ele acompanhava com ansiedade e entusiasmo. E, pessoas, não me senti nem um pouco decepcionada. É um filme super divertido e com todos os elementos típicos do único Tarantino que está em sua melhor forma desde Reservoir Dogs – meu filme favorito dele.
Antes de falar o que todos já sabem, as linhas gerais da história, permitam-me rasgar um pouco a seda para o roteirista e diretor dessa pérola e de outras tão fortes no imaginário nerd. Quem não se lembra do famosíssimo versículo recitado por Samuel L. Jackson na pele de Jules Winnfield, pouco antes de enviar seu pacote para o outro mundo? Mr. Blonde dançando ao som de Stuck in the Middle With You, com as mãos ensanguentadas? Esses são poucos entre muitos momentos eternizados em nossas cabeças.
Tarantino é perito no cinema de homenagem – ele consegue ao mesmo tempo nos remeter a um milhão de referências sobre filmes e cultura pop que formaram seu caráter criativo, ao mesmo tempo que manipula magistralmente toda a sorte de emoções da platéia que assiste um de seus filmes. Mestre em desconstrução cronológica, nos faz ver fragmentadamente como as lembranças o são para os personagens. É obcecado por detalhes e nos dá pequenas pistas que nos levam a crer sempre que algo melhor está por vir. Os diálogos elaborados e cheios de vida, são complexos e com níveis de entendimento e interpretação que nos prendem. Dão uma sensação gostosa a notar um fato novo após assitir pela 7ª vez um de seus filmes. Por tudo isso e muito mais, essa que vos escreve, é fã incondicional de Tarantino, uma pessoa com estilo tão marcante que se tornou adjetivo: tarantinesco.
Encerrada minha explosão fan-girl, voltemos aos infames Inglourios Basterds. O filme traz um ângulo totalmente alternativo sobre a terrível Segunda Guerra mundial. Tarantino brinca com o tema recorrente torcendo-o a seu bel prazer, brincando paralelamente com a metalinguagem ao desconstruir o tradicional filme de guerra.
O filme dividido em capítulos, como lhe é bem peculiar, traz histórias paralelas de pessos envolvidas diretamente com as equipes do Eixo e os Aliados. Desde o pobre fazendeiro que tem pena de seus vizinhos judeus, passando pela esfera dos oficiais alemães e seu estilo de vida luxuoso, a sobrevivente do massacre de sua família e indo cair diretamente no colo dos infames Bastardos, guerrilheiros judeus temidos pelos alemães por sua crueldade.
As histórias são muito bem amarradas, cruzando-se com perfeição, sem que seja notada qualquer forçada do roteiro para que aconteça algo. Os personagens são extremamente cativantes e bem interpretados. Com destaque é claro, para o maluco tenente Aldo Raine, interpretado por Brad Pitt, com seu sotaque extremamente carregado e táticas indígenas de combate. Tive algumas gratas surpresas no desenvolvimento de personagens e sua interpretação: o coronel Hans Landa (ou Caçador de Judeus), de Christoph Waltz, é fantástico, impossível de ser decifrado e cheio de atitudes imprevisíveis, ao mesmo tempo charmoso e perigoso sem cair em clichês. Eli Roth foi uma enorme supresa, seu sargento Donny Donowitz (ou Urso Judeu) é um personagem forte, emblemático e que traduz bem todo o instinto selvagem de um homem que vive em situações extremas sem abandonar o senso de humor, mesmo que seja mais negro que um buraco negro (sacaram? =D).

Caracterização fiel aos historiadores atuais que retratam Hitler como burro e arrogante
Outro ponto muito favorável é que, como de costume, Quentin (sentiram a intimidade? ;D) não tem pena em matar os personagens, por mais que os gostemos ou odiemos, não há qualquer forçada para salvar ninguém. A cena do tiroteio no bar – onde uma agente dupla, dois dos Bastardos, uma agente Britânico a lá James Bond e uma estrela alemã deparam-se com um oficial da Guestapo; é um ótimo exemplo disso, tensa, nervosa, muito bem executada. Do estilo que faz seus joelhos ficarem moles de tanto nervosismo e com um desfecho que prima pela verossimilhança acima de qualquer coisa.
Há muitas críticas sutis espalhadas por todo o filme, passando pelo american way of life, os militares e seus planos capengas, a indústria cinematográfica e até mesmo a péssima mania dos americanos de não conhecerem nenhuma outra língua. Aliás, essa incapacidade de aprender outra língua causa uma das cenas mais divertidas e patéticas do filme. Impagável ver o fiasco do tenente falando italiano.
A trilha sonora, como sempre, é um espetáculo à parte. Tarantino a seleciona tão bem e a faz casar com a ação que se desenrola na tela de tal modo que esta se torna um personagem a mais no filme. Estou doida para conseguir me apoderar de toda essa trilha, e mais ainda para adquirir meu dvd e finalmente poder destrinchar todas as sutilezas e referências (Tarantino´s Mind!). As mais evidentes é possível perceber, como o sobrenome falso utilizado por Shosanna Dreyfus ser o mesmo da namorada de Butch Coolidge.
Todo o filme é conduzido magistralmente para nos fazer rir, chorar, ficarmos tensos e conseguir um perfeito sentimento de cartase final. Contar mais detalhes sobre a história, os personagens ou plots seria estragar parte das surpresas, então, apenas recomendo que corram ao cinema mais próximo para ver esse filmaço. Como diria o soldado Utivich (aka. O Pequeno Homem): acho que essa é sua obra-prima.
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22 Comentários
Hahahahaha
Curtí o cartaz lusitano!
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Se minhas aulas de história contemporânea fossem como esse filme, eu teria prestado mais atenção.
Allana postou o seguinte… Quando a Luz vacila na Escuridão
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Esse filme pode servir muito bem de exemplo dos novos estudos sobre a segunda guerra, que leva em conta o Hitler que de gênio do mal não tinha nada, que nem todo judeu que lutava era da Europa oriental e que não tinha lado bom e nem lado mau na guerra (se alguém achar que os americanos são os heróis ao final do filme está com parafusos a menos).
Dan Ramos postou o seguinte… danramos: RT: @Paragons: Resenha de Inglorious Basterds de quem entende do riscado: http://tinyurl.com/ykmanhr
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Realmente o filme é muito bom e divertido, apesar de bem longo em algumas partes. também tem o fato do filme nào retratar fielmente a segunda guerra (mas é claro que nem de longe é a intenção do filme) e mesmo assim ficou bem crível para o universo do filme. E bem estiloso.
Só mesmo pra puxar pro lado dos RPGs, o Hans landa é uma ótima inspiração pra vilões e tanto ele quanto Aldo Raine pareciam sintetizart bem a interpretação do warlord da mesa de 4E que narro (se bem que os personagens seguem essas linhas em geral, e por isso saem tão fodas)XD
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Elisa Respondeu:
outubro 20th, 2009 às 10:24
Eu jogava com uma warlord que xingava mais do que um camioneiro bêbado na hora de usar healing word, basicamente os outros levantavam por puro medo das imprecações dela.
Tem vários personagens que poderiam ter saído de uma mesa de jogo no filme: a Shosanna, heroína pseudo-frágil, a atriz, todos os Bastardos. =D
Elisa postou o seguinte… Inglorious Basterds: quebrando paradigmas e cabeças
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“Sacanas Sem Lei”?! Por favor, alguém me diga que isso é só uma infame brincadeira, que este não será o título traduzido oficialmente… :_(
Melgalian postou o seguinte… Ferimentos graves e os vários tipos de dano em D&D
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Elisa Respondeu:
outubro 20th, 2009 às 10:26
Fique tranquilo esse é o cartaz lisitano, aqui na terrinha Brazilis ficou Bastardos Inglórios mesmo. =D
Elisa postou o seguinte… Inglorious Basterds: quebrando paradigmas e cabeças
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Filme muito F0D4!
Só não curti uma unica coizinha no final…
CUIDADO SPOILER!!!!!
como o Hans Landa, um cara inteligente ao extremo, acha que é só fazer um acordo com o Matadores de Nazistas(!) e vai se sair bem? Até um onitorrinco bêbado saberia que esse acordo NUNCA iaria ser cumprido! (isso que mal se tem realmente um acordo!)
Tirando isso disso, achei tudo perfeito.
Ivan – Atributo RPG postou o seguinte… Baixe sons-ambiente para RPG!
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Danielfo Respondeu:
outubro 22nd, 2009 às 0:25
Pois é, foi o que disse na minha resenha, lá no Pensotopia.
Se fosse um jogador que fizesse isso, o mestre ia dar uma risadinha e ia dizer (após reclamações do jogador):
- Quem mandou confiar em bastardos inglórios.
E em coro dos demais players zombariam:
-Burro!!!
Danielfo postou o seguinte… O Chamado e o Objetivo dos heróis
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Dan Ramos Respondeu:
outubro 22nd, 2009 às 1:05
Ivan, não acho que o ato final de Landa tenha sido errôneo.
Primeiro que em nenhum momento ele foi retratado como um gênio, e sim um grande investigador com um faro foda para judeus.
Segundo que muitos nazistas naquele último ano de guerra já sabiam que a coisa estava ficando difícil e se preparavam pra tentar escapar do jeito que pudessem dos Aliados, tanto que vários tentaram acordo como ele e acabaram sendo julgados, enquanto outros escaparam através de vários esquemas de fuga. E digo mais, talvez ele até mesmo soubesse que Shosanna tinha algum plano em mente, visto que ele a reconheceu ainda no restaurante.
Terceiro que no fim do filme ele já parecia muito desesperado ou ao menos alterado, pense no jeito nada impessoal ou frio que ele matou Bridget von Hammersmark; o plano dela mesmo era um indício de que a jurupoca ia piar.
Daí bem, com a coisa ficando feia e ele sendo um ser humano, é de se esperar que o desespero traga erros. Além do mais dava pra notar que ele era doido o bastante pra pensar naquele acordo desesperado. Por fim, considere a maneira de pensar daquela época, muito diferente da nossa hoje em dia, ainda naquela época as pessoas tinham valores (por mais cruel que possa parecer, até um nazista matador de judeus acreditava ter valores).
Dan Ramos postou o seguinte… danramos: Eba! Paragolândia 7 no @Paragons tirando sarro das raças, primeiros alvos são os elfos! http://bit.ly/1BADKt
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[...] This post was mentioned on Twitter by Daniel R and Elisagen, Blog Paragons RPG. Blog Paragons RPG said: Resenha de Inflorious Basterds de quem entende do riscado: http://tinyurl.com/ykmanhr [...]
Caramba.. estou louco para ler o post inteiro, mas ainda não ví o filme, mas concordo inteiramente com o que Elisa escreveu nos 3 primeiros parágrafos ^^
Depois dele, acho que só tem SPOILERS, kkkkkkkkk
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Elisa Respondeu:
outubro 21st, 2009 às 11:25
Pode ler sem medo, Edy. É spoiler free. E com baixo teor de sódio =D
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Nos últimos dois finais de semana, assisti os filmes 9 – A Salvação e o Distrito-9. O 9 (nine) é uma boa animação, mas é muito curto. No último domingo, estava entre o Inglórios e o Distrito e acabei assistindo o Distrito 9, e não me decepcionei, é um filme muito foda e inteligente.
Não li nenhuma resenha sobre o Bastardos Inglórios dizendo algo ruim sobre o roteiro e atores, assim como o Distrito 9, acho que vou ter que conferir mais um filme ”tarantinesco”. Parabéns pelo artigo, Elisa!
Abrçs e Bons Jogos!
d.darkangellus postou o seguinte… Mestre, não escreva por linhas tortas!
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Para vc ver como são as coisas, quem não concorda com opinião alheia pode muito bem escrever a própria. Nada melhor que uma crítica casca de ovo para deixar tudo na paz.
Elisa, me desculpe por ser tão bastardo. :))
Danielfo postou o seguinte… O Chamado e o Objetivo dos heróis
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Dan Ramos Respondeu:
outubro 22nd, 2009 às 0:46
Relaxa, cara, vc não conseguiu. =D
Dan Ramos postou o seguinte… danramos: Eba! Paragolândia 7 no @Paragons tirando sarro das raças, primeiros alvos são os elfos! http://bit.ly/1BADKt
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Assisti e não vi nada d+. Mais um filme de guerra é nem é dos melhores para mim.
Não entendo a fama do Tarantino até agora não teve um filme dele que eu assistisse e considerasse no mínimo bom.
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Dan Ramos Respondeu:
outubro 22nd, 2009 às 14:23
É que Tarantino é o tipo de cineasta que se presta a um público específico. É como sistemas de RPG. =D
Dan Ramos postou o seguinte… Paragolândia #7
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Puppet Respondeu:
outubro 23rd, 2009 às 10:17
Vou fingir que não fui chamado de Burro T.T
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Dan Ramos Respondeu:
outubro 23rd, 2009 às 13:03
E não foi, hombre! Tem que gostar do tipo de filme que Tarantino faz, só isso! Igual a sistema de RPG, uma questão de gosto… =D
Dan Ramos postou o seguinte… Quer Trocar de Personagem? Certeza?
Gente, independente se vocês gostaram ou não do filme, aconselho dar uma passada lá no Samurai 6 e conferir esse excelente artigo dando uma aplicação RPGística à narrativa de Tarantino!
http://samurai6.wordpress.com/2009/10/22/inglorious-bastards-school-um-velho-novo-estilo/
Dan Ramos postou o seguinte… Paragolândia #7
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fazer o q? Tarantino “é o Cara” em todos os seus filmes ele arrebenta, e esse é fenomenal assim como todos os outros!
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