
A Saga de Deanor (ou a Saga dos Campeões, como tornou-se conhecida nos registros antigos do mundo de Meliny) narra a história improvável de um grupo despreparado, amador e sem o mínimo de espírito de equipe que é colocado frente à frente com um poder muito superior a qualquer outra coisa que por ventura pudessem ter sonhado.
Baseada em uma campanha de PBEM que mestro desde 2004 em conjunto com um grupo de amigos insanos dedicados, a Saga foi posteriormente compilada por mim em uma série de atos menores, narrada em capítulos curtos que formarão arcos completos (ou temporadas, como queiram) até seu desfecho. Desta forma, pouco a pouco, acompanharemos o avanço dos acontecimentos e da vida dos personagens em seu dia a dia tal qual foram narrados, além de conhecermos alguns dos aspectos gerais deste novo mundo que iremos desbravar.
Assim, semanalmente aqui no Paragons teremos um novo ato da Saga de Deanor. Convido-os a ler esta história que já vem me assombrando há vários anos, e, espero eu, possam também se divertir com as sacanagens que narrei para meus players ou quem sabe até mesmo encontrarem alguma inspiração nestas idéias para seus próprios jogos. Fiquem agora com o prólogo que deu inicio a tudo isto: Sombras da Guerra.
Armageddon
(Mãe, ó eu no Paragons)
Sombras da Guerra
Uma fina camada de gelo sujo cobria as terras devastadas do reino naquela tarde. Nos campos, os corpos dos soldados dispostos da maneira que tombaram em combate eternizavam os momentos finais de uma batalha sangrenta que se estendeu por todo aquele dia. Os muros da cidadela próxima ardiam nas chamas da danação unindo no fim nobres e plebeus, e a fumaça negra que subia em golfadas irritadiças caia em flocos junto com a neve.
Um único homem se arrastava lentamente em meio aos mortos, puxando a perna direita ferida por uma flecha enquanto avançava, afastando-se dos muros negros do castelo. Seu olhar se perdia no horizonte longínquo que escorria por entre as montanhas ao leste, e mesmo vacilando a cada passo não ousava parar ou olhar para trás.
Tropeçava a esmo, ignorando a dor do ferimento. O elmo fendido por um golpe de sabre cortava-lhe o rosto deixando o sangue rubro escorrer generosamente pela face. Da boca ferida escapava o calor da respiração pesada, dançando no ar. Caminhou assim, quase em transe por toda a colina até a borda do platô em que foi erguido o castelo do Rei de Vyr. O vento soprava mais forte ali, à poucos metros do profundo abismo que o separava do fosso.
Correndo os olhos, pôde observar todo o longo caminho percorrido pelas tropas desde que deixaram Zarrus semanas antes, matando todos aqueles que encontravam pelo caminho, as vilas que incendiaram após saqueá-las e por fim os locais onde, combatendo as tropas enviadas de Lannus pelo falso rei, enfrentaram a última batalha na Colina do Castelo, o refúgio de Achenedai.
Apoiando-se em uma rocha, retirou dolorosamente o elmo, deixando um pequeno suplício de dor escapar. Fez o mesmo com o corselete feito com pequenas argolas metálicas que lhe serviram toscamente como proteção durante o longo combate, e pousou a ambos à sua direita. Demorou-se olhando para a espada em suas mãos, o fio marcado pelos muitos golpes.
Ajoelhou-se ali, sem tirar os olhos da velha espada. Correu a mão por toda a sua extensão, sentindo o ferro frio através das luvas rasgadas. Espelhou-se no metal por alguns instantes, procurando no reflexo de seus olhos alguma saída desesperada, mas nada encontrou. Resoluto, a ergueu em direção aos céus, e com um gesto rápido, atravessou-a em seu peito.
Um grito agonizante ecoou pelas paredes do castelo em chamas espalhando-se pelo vale. Dos céus caiu uma coluna de energia azulada pela qual centenas de milhares de rostos em pânico, devorados pela dor e pelo medo gritavam em uníssono, reforçando o brado do guerreiro caído enquanto rodopiavam em uma espiral insana.
Como um tufão infernal, a luz devorou com fúria os campos de combate e percorreu em uma fração de segundo a distância que os soldados levaram semanas inteiras para vencer, explodindo de encontro às montanhas distantes. O silêncio sepulcral era tão denso que podia ser sentido quando o guerreiro caído abriu os olhos, agora sem vida, e sorriu.
A guerra ainda não teria um fim.


















9 Comentários
Bem vindo a Paragons! Sobre o cenário de Meliny já acompanhava no Inominattus as notícias. As descrições me lembram os livros de Tolkien e que eu devo acabar o livro do Harmonia. ;D
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Armageddon Respondeu:
setembro 24th, 2009 às 9:20
Quem dera escrever tão bem quanto Tolkien (ainda que muita gente não curta huehue). Espero que você continue animada em acompanhar Meliny também aqui no Paragons, Li, durante a Saga vamos conhecer mais do nosso mundinho ;D
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Ninguém além de mim percebeu que o Armageddon quer dominar a blogosfera RPGística? Aos poucos ele vai se infiltrar em todos os blogs que aparecem, vocês vão ver XD Parabéns pelo post!
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Li-San~~ =] Respondeu:
setembro 19th, 2009 às 11:13
O.o”… Fujam pras montanhas (Lembrei do Shingo)
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Armageddon Respondeu:
setembro 24th, 2009 às 9:21
Só falta um deles… e ai eu serei onipresente! BWAAHAHA!
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Mais uma história para acompanhar! =) Valeu, H! =)
Allana postou o seguinte… Monólogo
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Armageddon Respondeu:
setembro 24th, 2009 às 9:22
Eu que agradeço, Allana! Quem dera ter a qualidade das histórias (e das ilustrações haha) da Sonata aqui =)
Espero sua presença nos próximos capítulos.
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Aliás, grandes agradecimentos ao D’zilla que providenciou a imagem colorida que ilustra o post.
Aos que se interessam pelo cenário, ela representa Sardon, um morto-vivo lendário muito conhecido em Meliny por ser citado em uma fábula infantil =D
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[...] Série Os Últimos Dias – Prólogo, também no Paragons. [...]