
No qual os heróis adentram na floresta de Cormanthor e se deparam com perigos terríveis.
Vejo que estão de volta, meus caros. Noto também que há novos rostos entre vocês, o que me alegra o coração. Mas tenho certeza de que não saíram do conforto de suas casas em uma noite tão fria apenas pelo prazer de minha companhia, não? Pois bem, retornemos à narrativa. Peço apenas que mantenham a taça de vinho cheia, para que a voz não me falte no decorrer da noite.
Até então a comitiva andava pelos emaranhados caminhos da floresta de Cormanthor, em busca do Violinista. Sob o olho atento da elfa Saelyn, Daven guiava os outros pelas trilhas que conhecia. E não tardaram a aparecer os sinais da passagem do criminoso por quem buscavam: corpos de alguns animais ressecados e sem vida marcavam o caminho, além de alguns rastros, como galhos quebrados e restos de fogueiras.
Dias vieram e se foram, mas nem mesmo as sombras das enormes árvores da densa floresta puderam obscurecer o ânimo da comitiva. O cansaço da busca, porém, começava a fazer todos os ombros pesarem. O sol já começava seu caminho para o descanso quando uma ravina profunda interrompeu as andanças. Vários metros abaixo, um rio caudaloso corria fortemente para as entranhas da mata. Um velho tronco caído servia parcamente de ponte, e Daven, ansioso talvez por sair daquelas matas, atravessou-o com destreza, acompanhado pela vigilante Saelyn – havia rastros do outro lado. O Violinista estivera ali, e não fazia muito tempo. Outra coisa, entretanto, demandava a atenção urgente: um pio alto de um pássaro, cortando o silêncio da floresta, acompanhado de um forte bater de asas.
Duas paródias de mulheres surgiam nos céus, com asas decrépitas e desengonçadas. Patas de galinha, com garras podres e sujas, completavam o quadro. As bocas abertas, cheias de dentes afiados e fora do lugar, emitiam um grito ininteligível para a mente humana, mas ainda assim hipnotizante. Tal qual as sereias, o canto que emitiam possuía a mente de quem o ouvisse. Os olhos atentos de Saelyn logo reconheceram as criaturas que investiam contra a comitiva: harpias. Antes que pudesse, no entanto, orientar seus colegas, viu que Aramis já caminhava para o abismo, o olhar perdido, como se não percebesse o que acontecia.
Deric, resistindo à voz hipnótica, tentou segurar o arcano que caía, mas a armadura pesada serviu-lhe como uma bola de ferro maciço presa ao pé. Perdendo o equilíbrio no terreno instável, também começou a cair.
Do outro lado da ravina, Daven foi o único que pôde perceber que as harpias não eram o único perigo. Das folhagens saíam quatro halflings, portando adagas e lâminas curtas. Seus gestos eram desprovidos de qualquer vontade própria, mecânicos, automatizados: mais vítimas do canto daquelas mulheres aladas.
Theros, vendo seu companheiro caindo, foi rápido em ajudá-lo, mas preferiu jogar uma corda. Viu que o peso da armadura pode fazer, e preferiu não se arriscar. O elfo, por seu turno, ao finalmente perceber que caía vertiginosamente, fez uso do seu poder arcano para tornar a queda bem mais lenta, e assim se recuperar.
Já Thyra, a sacerdotisa anã, começou a travessia da ponte improvisada, resolvendo que aquelas criaturas deveriam ser derrotadas logo, antes que todos caíssem no rio. De machado em punho, a clériga deu os primeiros e por muito pouco não escorregou, segurando-se parcamente na árvore seca. Aquele seria um combate difícil.
Invocando as bênçãos de Tempus, Thyra conjurou uma espada espectral banhada em chamas, que atacou a harpia mais próxima. Com suas flechas certeiras, Saelyn desabilitou-lhe o voo, acertando as asas da criatura que, acuada, deu um grito de socorro à irmã. A outra, maior e claramente mais velha, desceu na direção da ponte, tentando agarrar com as patas de galinha a anã, que firmemente se segurava ao tronco de madeira que servia de ponte e palco para a batalha.
Seguro de não mais cair, Derek tentou subir, mas a inclinação era íngreme e as raízes não eram firmes, soltando-se quando o homem de armas segurava-as com mais força. Não chegaria a tempo. Bastou olhar para cima, entretanto, e perceber que tinha uma visão favorecida do combate. Percebeu que a escalada o tornaria um alvo fácil, e preferiu permanecer onde estava para coordenar os ataques de seus companheiros. E a plenos pulmões, começou a bradar ordens.
Daven começou a cuidar dos halflings, sabendo que era o único hábil para isso. Usando de golpes rápidos com a adaga, foi desabilitando um a um, enquanto se esquivava de seus golpes lentos e automatizados. Estava claro que eles sequer tinham consciência do que estava acontecendo. Trajavam roupas velhas e surradas – seriam eles mercenários que também procuraram abrigo na floresta?
Usando de seus poderes arcanos, Aramis flutuou até o topo e proferindo palavras de poder, atingiu uma das harpias, que enraivecida, veio em sua direção. A criatura, entretanto, teve seu caminho interrompido pelo martelo de Theros, que lhe desferiu um golpe certeiro na altura do ventre. O monstro, metade mulher e metade pássaro, soltou um grito em agonia profunda. E foi tudo o que pôde fazer.
Ver sua irmã perecer ante a armado meio-elfo encheu o espírito de Alecto de fúria. Notando que os lacaios que hipnotizara não seriam páreo para aqueles terrestres, avançou com vigor na direção de Theros, cravando-lhe as garras no peito. Em seguida, levantou voo, no intuito de fugir.
O guerreiro gritou de dor, e os sentidos começaram a faltar-lhe. O desmaio era iminente, e mesmo sabendo que não podia cair ali, sentiu a força esvair-se de seus membros. Foi então que um calor percorreu-lhe o corpo e os ferimentos, revigorando-lhe as forças. Era a chama sagrada de Tempus, que através de Thyra, chamava-o novamente à batalha. Quando voltou a si, pôde ainda ouvir a voz de Derek, encorajando-o. Afinal, não seria um arranhão como aquele que findaria sua vida.
A líder das harpias, nesse ínterim, fugia, já galgando certa distância. Saelyn, contudo, não permitiria aquilo. Sabia dos perigos que criaturas como aquela traziam. Mirando com cuidado, disparou duas flechas. A primeira cortou o ar, mas a segunda foi suficiente para abater Alecto: a seta atingiu o pescoço da criatura, atravessando-o. O corpo sem vida caiu espiralando rio abaixo, sendo arrastado pela correnteza.
Os halflings, com o encanto quebrado, agradeceram à comitiva e revelaram-se como membros de uma caravana que se desfez ante o ataque daqueles monstros. Seguindo as indicações da caçadora elfa, o pequeno grupo seguiu para fora da floresta de Cormanthor. E não muito longe dali, Daven encontrou o rastro que vieram seguindo: no chão, em meio a folhas secas e caídas, jazia outra harpia. A pele mais seca e enrugada que a de suas irmãs, os lábios arroxeados, os olhos revirados e o corpo retesado denunciavam que o Violinista estivera ali.
Seguindo a viagem por mais um dia, o grupo avistou ao longe as ruínas de um castelo, construídas no topo de uma formação rochosa. Sinais de passagem de um único viajante levavam até lá. Parece que o Violinista encontrara seu covil. E ele teria muitas respostas a dar.
E mais uma vez, a lua vai alta no céu, quase despedindo-se de nós. Em poucas horas o sol despontará no horizonte, e lamento interromper minha narrativa. Despeço-me agora, mas ciente de que os encontrarei na próxima noite.
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15 Comentários
É tirinete, meu colega!
Pelas palavras dos bardos, até parece que esse tal de Daven sabe fazer alguma coisa! Sembiano incompetente!
–
Thiago
PS.: Quando eu ouvi essa cena da primeira vez, havia um maior destaque para a anã agarrada na árvore que servia de ponte!!
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Licença poética, meu rapaz. Licença poética…
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Maldita “criatura-alada-pseudo-feminina”… Naquele momento, Theros sente uma força divina ajudá-lo a resistir a dor e seguir na batalha…
O senhor das batalhas olha por ele! Será retribuído?
Os sons dirão…
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Cada vez melhor! Gostei de como o combate corre!
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Não há passatempo melhor para um Warlord do que jogar Xadrez Humano (ou elfo ou anão) enquanto pratica alpinismo! Hehehehe.
Interessante ressaltar que da primeira vez que Aramis (o mago elfo) estava caindo no precipício, Derek (o warlord) esforçou-se para salvá-lo, mas o mago se salvou graças ao feitiço de Queda Suave. Da segunda vez que o elfo estava caindo, Derek pensou “Ah, ele pode usar sua magia pra se salvar”. Pois é, o pobre warlord não sabia que aquele era um poder diário. xP
Também foi muito legal a cena em que o guerreiro meio-elfo estava caindo no abismo e Derek gritou: “Não deixe esse pequeno obstáculo abater você!”
Foi bem divertido esse combate.
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Gostei geral da narrativa. E Daven (El Sembiano) tem grande utilidade nesse grupo, todo mundo sabe. Apenas fazem questão de esconder isso para provocar o jogador. hehehe
Estou gostando muito da campanha e das aventuras.
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@Thiago, Na versão original, tinha a famosa Thyra Irongate atravessando a árvore agarrada no tronco, mas a cena foi cortada na edição e só aparece nos extras da campanha agora.
Outra parte q faz bem em não ficar registrada é o animal do Theros explodindo a cabeça do pobre halfling dominado…
Mas o mais engraçado foi Derek pulando na ravina para salvar Aramis da queda, e o mago caindo suavemente enquanto ele se estrebuchava pra não cair no rio!
Mas esse violinista dá raiva…
Quero ver o capítulo 3!
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Humm… Gostei muito do segundo capítulo. O q eu n gostei foi da falta de ênfase q deram a elfa ranger. Ela é tão bonita, agradável e dah um dano q salva tantos bumbuns por ai… E em falar em bumbuns… O dela é incrivel… :P Nesses dias os produtores da playknights (playboy) está a enviando um convite :P
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Ronaldo!
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Esteja amaldiçoado! XD
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Essa elfa ranger tem que pagar direitos de nome patenteado para a Saelyn original, a Caçadora da Lua.
http://willdan.deviantart.com/art/Saelyn-sacerdotisa-da-lua-27298322
=D
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@Daniel R, A Saelyn da campanha pode pagar muito bem em serviços. Com um corpo daquele, dívida ela não vai ter… ahuahuahauhauahuahauhauhau
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@corinthiano, e brilha mutxo no curíntia!
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Hauahauaha nem lembrava! XD
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@outro curintiano,
“a realidade é apenas um auxiliar apriorístico da ética não naturalista”
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