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A Publicidade de RPG Ideal

Para aqueles que não sabem, eu sou publicitário. Calma!! Antes de arremessarem pedras fiquem sabendo que muito da cultura pop atual deve muito para a publicidade, mas não é sobre isto o este post, talvez um pouco.

Creio que não é necessário dizer sobre a necessidade que o comércio tem, certo? Vamos partir da premissa que todos concordamos que a publicidade é importante para o incremento das vendas e para criar uma boa imagem para qualquer produto.

Algumas semanas atrás dois eventos me fizeram pensar na publicidade de RPG no Brasil. O primeiro foi a Devir incluir uma propaganda de página inteira na Set News. O outro foi o “viral” da Evil Hat para o seu lançamento A Penny for my thougths

Posso ficar horas discursando sobre a mesmice do auncio da Devir e a genialidade de baixo custo da Evil Hat, mas não vou fazer isto. Vou escrever um texto onde eu digo o que eu penso sobre qual o estilo de publicidade para RPG que segundo os meus conhecimentos seria a mais eficiente no Brasil, em um cenário ideal.

Uma brevissima análise dos perfis de jogadores brasileiros

Quem é o jogador de RPG?
Quem é o jogador de RPG?

Quem é o jogador de RPG?

Sabemos que o RPG no Brasil é um mercado de nicho, e mercados de nicho geralmente possuem fãs fiéis. Porém a situação atual do nosso mercado é no minimo estranha. Temos um público fiel de jogadores, porém estes muitas vezes preferem importar livros do que comprar as edições nacionais, por n motivos que não vem ao caso agora, enquanto nossa produção de titulos nacionais esta em uma época de estiagem. Além do que temos ainda mais um grupo que se enquadra no público-alvo dos produtos de RPG, porém a) não conhece o jogo b) esta satisfeito com os livros que tem.

A pergunta que eu quero fazer quando eu leio estes perfis de RPGistas é: Como fazer que o interesse deles se volte para o jogo? E como divulgar o jogo para este público?

Mudança de paradigmas

Com parcas exceções a divulgação de jogos de RPG no Brasil continua a mesma desde que o jogo aportou no Brasil. Anuncios na Revista de RPG, Sites, Divulgação de Lojistas e boca-a-boca, sendo a última a mais importante e principal no nosso mercado.
O RPG é um jogo que envolve a criatividade, então seria até óbvio dizer que o que os consumidores de RPG do Brasil querem é criatividade na divulgação de seus jogos.
Utilizando-se de exemplos atuais, uma das ações que eu penso que tem toda uma possibilidade de divulgar o hobby são os Game Days. Existe um principio no Marketing que é: Quando o consumidor não conhece o produto, ensine-o a utiliza-lo. Os Game Days poderiam funcionar desta forma, um modo onde os iniciantes e aqueles que querem conhecer o RPG poderiam trilhar os primeiros passos neste caminho. Um lugar onde Mestres experientes e contratados pelas editora [lembre-se. Este é um cenário ideal, sendo realista, sabemos que a maioria destes sistemas de jogos oficiais são mantidos por voluntarios] mestrariam jogos simples, introduziriam RPG àqueles que querem aprender o jogo. O que eu gostaria realmente é que todas as editoras fizessem isto. Jogos dificeis de serem levados como Trevas e Maytréia da Daemon, poderiam retirar grandes dúvidas sobre a climatização e o modo de condução do jogo nestes Game Days.

Se o ele não sabe usar o produto, ensine-o

Porém os eventos não funcionariam se não fossem divulgados, aí voltamos aquele mesmo paradigma anterior, onde os metodos antiquados de divulgação podem matar uma idéia inteligente. Exagero? Eu sou blogueiro de RPG, tento me manter informado, porém eu não sabia da existencia dos Game Days, assim como os eventos do BOBS RPG. Desinformado? Agora imagine uma pessoa que não seja um Heavy User de Internet, ou um militante de RPG. Saberia disto como?
Pequenos passos estão sendo dados, como o Hotsite de D&D e uma propaganda no LdJ 4E, mas isto parece ainda pouco eficaz se pensarmos que a Devir é também uma editora de Graphic Novels, e que poderia utiliza-las para fazer um efeito Halo, e que o Marcelo Del Debbio tem uma coluna em um dos maiores blogs do Brasil sobre ocultismo, que é o tema dos jogos mais famosos da editora, e não se utilizar isto como ferramenta.
Analisando superficialmente, pode-se perceber que o RPG no Brasil ainda não passou por um processo de profissionalização, e vive ainda em uma época de dominio artesanal. Onde os produtos devem se vender e não há um esforço realmente efetivo das empresas envolvidas de vende-los.

O que eu quero de Marketing para RPG

Depois desta longa e chata introdução vamos realmente para o assunto principal do artigo: O que eu gostaria de ver para publicidade de RPG.

A primeira coisa que faz uma grande diferença porém onde se é necessário um alto investimento em marketing de relacionamento é o apoio das revendas. Isto ficou muito claro para mim após ler um post do Área Cinza, onde o Rocha relata um caso que aconteceu com ele, e que eu roubei sem permissão:

“Um exemplo claro disso pode ser visto em minha amada cidade, Belo Horizonte. Nos início dos anos 90 a Leitura, maior rede de livrarias daqui, fez um belo investimento nos RPG’s, dedicando o segundo andar de sua maior loja ao jogo, contando inclusive com um espaço para grupos e uma noite (se não me engano, às quartas) onde mestres contratados pela livraria o ensinavam aos novatos e curiosos. Toda uma geração de jogadores começou ali, este que vos fala inclusive, embora já tivesse tido contato com um livro jogo do Steve Jackson. Depois apareceram outras lojas, mas no fim dos anos 90 tanto estas lojas fecharam como a Leitura se tornou um lugar inóspito e hostil para os jogadores, e o resultado foi a desarticulação e fim dos grandes eventos de RPG em BH. Enfim, embora eu não ache que as lojas físicas sejam o sangue ou a base do mercado de jogos, não tenho como ignorar o efeito positivo que elas possuem em suas bases locais, embora isso muitas vezes seja ofuscado e desconsiderado nos espaços de discussão da internet”

Percebe? Quando o revendedor se preocupa em realmente vender o seu produto, o escoamento dele é muito mais fácil. Sem contar que este pequeno relato do Rocha diz muito mais além disto. Ele fala sobre comunidade ao redor de uma marca, algo que convivemos todos os dias [ com os famigerados fanboys], que toda empresa busca, mas que não é algo simples de se fazer. Um prova é que apesar de ter se passado quase 10 anos desde os encontros na Livraria Leitura, o Rocha ainda se lembra do local e até [pasmem!] do dia que os encontros aconteciam. Em um cenário ideal (lembra-se que é disto que estamos falando?) isto é justamente o que acontece. Um ótimo relacionamento entre a revenderora (livraria) e o produtor (a editora), é interessante ver que o próprio reconhece a importancia destes espaços de convivencia e seu impacto no público de RPG.

Aqui chegamos a um ponto que não se dá a devida importancia. Desculpe-nos leitores, mas uma relação fisica é muito melhor que uma virtual. Espaços onde se pode jogar RPG, conversar com pessoas fisicamente, tem um impacto infinitamente melhor em qualquer consumidor do que uma conversa via Internet. Vou usar dois exemplos:

O primeiro é o relacionamento entre você, leitor, e a sua empresa fornecedora de internet banda larga. O que seria melhor para você resolver aquele problema da sua internet, mais um chat ou ligação, ou se ela tivesse um atendimento pessoal? Este é o motivo da explosão dos conceitos de Atendimento VIP que aconteceu entre os bancos nestes últimos anos. As pessoas gostam de se relacionar com pessoas.

O segundo exemplo é na verdade uma história pessoal. Quando comecei com o RPG, a internet não era uma opção tão interessante para um iniciante do que ir até um local onde aconteciam pequenos encontros de RPG, como a biblioteca da Penha, onde vários grupos de RPG se reunião para jogar, tanto que lá que eu conheci e me apaixonei por Castelo Falkenstein. O que antes era apenas uma curiosidade se tornou rapidamente um hobbie devido a influencia de um grupo de pessoas. Sem contar que a experiência para um novato no hobbie de aprender e conversar diretamente com quem já um participante deste grupo é um gigantesco diferencial.

No próximo texto continuaremos nesta linha de raciocinio, falaremos um pouco mais sobre cross-marketing, a experiencia de merchadising, ARGS e o que toda esta parada tem a ver com a rolagem de dados.

 

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15 Comentários

27.06.09

Mandou muito bem! Realmente, os game days e a criação de espaços para RPG com o apoio das editoras é uma parte vital para o marketing do hobby. Vamos ver se conseguimos mudar isso, e aumentar o número de eventos!

Curti muito a barra com o nome e a foto do autor aqui no Danipopozingo!

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27.06.09

Muito bom mesmo o post. Eu só discordo quanto a produção nacional estar em estiagem. Ela esteve bem alguma vez? Na minha opinião o RPG nacional é sempre um jogador com 6 danos de vitalidade em vampiro. Sempre se arrastando e com a promessa de melhorar… mas nunca sai disso.

Eu sempre procurei encontrar vilões para a nossa produção fraca (e várias vezes encontrei o mesmo, rs) mas nunca havia pensado numa abordagem a partir do marketing.

Enfim, vou acompanhar essa série de posts…

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27.06.09

Fala Márcio!

Acho que “bem” mesmo ela nunca esteve. Talvez nos áureos tempos de Tagmar, Arkanun e Trevas, mas acho que o termo ainda assim não seria “bem” seria “melhor”!

Abraços e obrigado pela visita e principalmente pelo comentário!

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27.06.09

Olá Marcio, tudo certo?

Acho que o problema com esta questão de crise, estiagem é que somos fadados a fazer comparaçoes com o mercado estrangeiro, o que não é muito certo. O mercado brasileiro já esteve sim bem, para o tamanho dele. Lógico que não era um “uau, chuva de livros” mas fazendo uma comparação, até esdruxula é só comparar o número de livros publicados há 2,3 anos atrás com os livros publicados este ano :D

Nitro, é algo que eu vou tentar mostrar. Uma relação melhor entre editora>Revenda>Cliente produz resultados positivos na manutenção do hobby, principalmente o RPG sendo em um nicho.

Abrços
Shingo Watanabe postou o seguinte… A Publicidade de RPG Ideal

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27.06.09

Ações nos PDVs são cada vez mais importantes para vender um produto. São relativamente baratos, e tem um impacto grande na decisão de compra. Mas isso é para qualquer coisa, não só para mercados de nicho… Aliás, eu diria que a “experimentação” de um jogo de RPG é extremamente complicada de ser realizada…

Não dá pra fazer um test-drive, não dá pra experimentar no espelho, não dá pra provar um pedaço, etc. Só dá pra folhear um livro, que é algo bem distante de jogar.

Texto muito legal!
Alexandre postou o seguinte… DM dos Anéis #065: Má Distribuição de Recursos

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O sensato que poderia ser feito, sem muito investimento:

- RPGs simples, baratos e que usem dados comuns (exemplos ótimos são o RPGQuest e a série MiniGurps);

- Divulgação em revistas de quadrinhos e outras revistas que atinjam o mesmo público-alvo.

- Vendas em bancas desses jogos simples, indicados para iniciantes.

- Parcerias com outros segmentos para baixar ou não precisar de investimento.

Gilson, publicitário

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27.06.09

Ei! Esse artigo era justamente o que eu estava procurando! Servirá para alguns organizadores de encontro que conheço…

Obrigado!

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27.06.09

Muito bom o artigo!

Quero acrescentar que o RPG vem ganhando espaço, pouco a pouco, nas salas de aula, com objetivos pedagógicos.

Mas há uma falta enorme de material para apresentação e divulgação do RPG para professores, o que dificulta sua utilização nas escolas espalhadas pelo país.

A educação é um espaço muito fértil para a ampliação do RPG e deveria ser mais explorado.

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Ricardo, é exatamente isso que venho abordando. E se eu conseguir entrar no mestrado ampliarei mais.

Gilson

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27.06.09

Doidimais!!!

Engraçado que eu penso dessa maneira também. Talvez porque minha mãe como comerciante faz grande uso desse tipo de aproximação com os distribuidores.

Acredito que um dos motivos de não existir um relacionamento mais forte entre editoras e livrarias é a falta de interesse por parte das livrarias já que esse movimento nem sempre se dá por parte de quem vende e sim de quem compra “eu compro teu produto mas tu me apóia na divulgação do mesmo”.

Atribuo essa falta de interesse ao fato do RPG não ser o foco da maioria dos estabelecimentos que vendem o produto. Mas sabe-se lá :P
Leisses postou o seguinte… Criando Tavernas de Sucesso

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27.06.09

Eu me interesso muito pelo assunto, só que não vejo RPG em local algum. A divulgação é escassa e aqueles que poderiam vir a ser possíveis jogadores, não são ’seduzidos’ pelas editoras de forma alguma.

Eventos de MKT em que o produto é apresentado e que rola toda uma confraternização de venda e apresentação do jogo são os melhores. É uma forma de vender mais e fidelizar o consumidor, uma vez que ele vai ter em mente que, “poxa, vou em todos os eventos de tal marca, porque assim eu jogo, conheço gente nova e ainda compro o livro”, além do gancho que a editora pode ter para a criação de promoções e eventos para reunir seus jogadores.

Por isso que eu acredito que planos de comunicação são essenciais para o lançamento de um novo livro pela Editora. É uma forma eficaz de trazer novidade para os RPGistas antigos e atingir um público novo que está surgindo com base na internet.

Adorei o Paragons, Felipe! Parabéns!
Andira Medeiros postou o seguinte… Peles, mares e saudades

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Muito bom, Andira. Mas esse tipo de ação é custosa e restrita apenas à cidade que o evento ocorre. De nada adianta propaganda, eventos, blogs, sites e todo o bafafá se quem quer conhecer “esse tal de RPG” não sabe onde encontrar e não tem onde encontrar. Aí que entrariam os livros em bancas, sendo mais baratos e as ações casadas como escrevi acima.

Divulgar RPG para quem já conhece RPG é desvio de energia. Divulgar os lançamentos nos próprios produtos, sites, blogs e mais meios, aí sim funciona melhor para quem já conhece o jogo.

Gilson

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[...] Douglas entra na Palestra para falar sobre como anda o mercado de RPG, concorda com Otávio quanto a o númeor de pessoas no hobby, e disse que a Devir vai voltar a investir em marketing. Indo as escolas para ensinar RPG às crianças, só que para isto acontecer a empresa deve lança o Mini-Gurps 4e até o final do ano. Disse que os anuncio são positivos, mas que eles tem efeito apenas a longo prazo. A curto prazo o que tráz as pessoas para o RPG são os romances e oficinas de RPG, e não anúncios. Eles precisam primeiro ensinar as pessoas o que é o RPG antes de divulgarem. O que o Douglas Quinta falou na palestra é, felizmente, muito parecido com o que eu disse aqui. [...]

27.06.09

Olá! Considero muito importante que se façam ações diferenciadas de MKT para o RPG e até tentei isso ano retrasado (procurem por “Quem Matou Pyros?” no YouTube), apesar da baixa repercussão. Também sou publicitário e vejo o mercado nacional de RPG como uma demanda latente, ainda desejando por algo a mais, enquanto uma grande parcela da população possui uma imagem negativa que gera alguns empecilhos para tentar a experiência do jogo.
Abraços!

[Responder]

[...] 6 – A Publicidade de RPG ideal [...]

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